História da camiseta – Um breve roteiro

A camiseta é a peça do seu guarda roupa mais versátil, com certeza, dentre todas os itens do seu armário, ela é a queridinha, mas o que você sabe sobre a história da camiseta? Onde elas foram criadas? Como se tornaram tão populares?

Por ser uma peça do dia a dia, um item básico do seu guarda-roupa, é possível que você esteja negligenciando a sua importância histórica, mas não se preocupe, vamos esclarecer tudo pra você.

Aqui vamos dar um passo a passo da sua ascensão, desde do seu engatinhar como roupa íntima nos primórdios, até os dias de hoje, item moderno e adaptável, de modelagens ousadas e estampas criativas.

Por que preciso conhecer a história da camiseta?

Por que? Porque este blog acredita que conhecimento nunca é demais, e porque o setor  têxtil é de extrema importância para a economia no brasileira. No ano 2010, o Brasil era o 4° maior produtor de itens de vestuário do Mundo.

Só para você ter uma ideia, de acordo com a Abit, o faturamento do setor crescerá em torno de 5,5% em 2018, e alcançará os R$ 152 bilhões. O setor de vestuário deve crescer 2,5% e a têxtil deverá alcançar os 4%.

Origem

Reza a lenda, que na Roma Antiga, os romanos usavam uma túnica branca, camada camisia, essa túnica pode ser considerada o parente mais distante da nossa camiseta. Ela era usada quase como roupa íntima, eram em geral brancas e tinham a função de proteger contra a transpiração.

Durante muito tempo no limbo, a camiseta ficou sendo usada como peça de baixo e sua versão mais recente, como conhecemos, surgiu entre o fim do século 19 e inicio dos século 20.

Apesar de muitas histórias desencontradas e sem muita veracidade, a ascensão da camiseta, como de muitas outras coisas inventadas pela humanidade, se deu dentro dos exércitos.

Exércitos: Primeira Guerra Mundial

Exércitos europeus e americanos disputam as origens da camiseta. Enquanto os europeus bradam por sua criação, reza a lenda que os americanos a colocaram no Regulamento de Uniforme da Marinha no ano de 1905.

Na Marinha, ela era usada como peça de baixo do uniforme do marinheiro e, em climas quentes, elas poderiam ser usadas pelos soldados como peça principal, desde que, permitida pelos seus comandantes. Os marinheiros que trabalhavam em máquinas e ambientes quentes, também estavam autorizados a usá-la, caso assim preferissem.

Com a primeira guerra, o item ganhou popularidade, e os soldados ao retornarem, trouxeram o hábito pra suas casas, mas ainda como peça de baixo.

Exércitos: Segunda Guerra Mundial

Na Segunda Guerra, a camiseta, ainda como peça de baixo, é fundamental no uniforme da marinha e do exército americanos.

Graças as revistas, o público se acostuma com fotos dos soldados vestidos com a camiseta sem outra camisa por cima. Essas fotos em geral, retratavam os soldados fazendo trabalhos pesados ou em lugares quentes.

Thomas E. Dewey

Em 1948, o candidato a presidência dos EUA, Thomas E. Dewey, lança uma das primeiras camisetas com propaganda da história, com a frase “Dew it for Dewey”.

Marlon Brando

Em 1951 em “Um bonde chamado desejo”, Marlon Brando aparece vestido com uma camiseta que realçava seus músculos. A camiseta foi um item fundamental para torna-lo sex symbol da época.

Marlom Brando entra pra história da camiseta, no filme “Um bonde chamado desejo”.

O  sucesso do filme impulsionou as vendas e colocou a camiseta como um dos itens principais dos guarda-roupas das pessoas.

James Dean

Em 1955, James Dean em “Juventude Transviada”, faz a camiseta ganhar um ar de rebeldia e contestação.

James Dean entra pra história usando uma camiseta com uma jaqueta estilo bomber.

Tie dye e mensagens pacifistas

Os anos 60 foram marcados por movimentos anti-guerras e pacifistas, surgiram as camisetas coloridas e padrões psicodélicos (tie dye). Também nessa década, a industria fez muito uso de frases pacifistas, como “faça amor, não faça guerra”.

Acompanhando os movimentos pacifistas, vieram aqueles que buscavam mais liberdade e de contestação aos padrões impostos pela sociedade. Foi então que apareceram as primeiras mulheres vestidas com camisetas.

Os anos 60 e os hippies foram de extrema importância na história da camiseta, popularizaram as estampas vibrantes e padrões aleatório (tie dye), assim como o uso de camiseta por mulheres, algo até então incomum.

Os anos de 1960, provavelmente foi o período dentro da história das camisetas, onde mais se “viajou” na criação de modelagens e principalmente nos padrões de cores e estampas.

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Os anos 70 marcaram as camisetas como meio de expressão dos ideais jovens, tanto quanto como meio de propaganda. As camisetas foram exploradas principalmente por marcas de refrigerantes, tanto quanto, por bandas de rock.

Os Ramones, banda de punk rock formada no Queens em Nova York, no ano de 1974. Suas marcas e logos, fizeram história e estampam camisetas com sucesso até os dias de hoje.

Marcas, ostentação e status

A década de 80 foi um momento do individualismo e do consumismo, a moda surgiu como expressão de status. Foi o momento em que os jovens queriam status, consequentemente as grifes começaram a estampas de forma exagerada, suas marcas nas camisetas.

Sociedade sem ideologia

Passamos por guerras, épocas rebeldes, movimentos pacifistas, rock em ascensão e uma década consumista, chegamos, enfim,  aos anos 90. Oposto a tudo que vimos, foram anos de “paz”, portanto, foram anos sem movimentos ideológicos mexendo com a sociedade.

Em consequência a escassez de ideologias, as camisetas são usadas por qualquer segmento da sociedade, independente de causa  ou ideologia. A camiseta torna-se enfim, um item universal.

Século 21

Enfim, chegamos ao final da nossa jornada. Estamos vivendo  anos marcados pelo rápido desenvolvimento tecnológico, surgimento das lojas virtuais, redes sociais, provavelmente, o período mais democrático para a nossa queridinha.

Anos em que as comunidades do Orkut, grupos do Facebook e Whatsapp, geraram discussões, brigas e desentendimentos, naturalmente foram segregando cada participante em ideologias. Nichos começaram a ser criados e identificados, consequentemente o mercado começa a explorar-los de forma mais agressiva. Como resultado desse movimento, surgiram as camisetas com memes, frases de efeito, estampas voltadas para cultura regional, etc. Portanto, podemos concluir que, além de ser o período mais democrático, também é o mais criativo, mais aquecido e mais rico da história da camiseta.